domingo, 1 de novembro de 2015

ao curso de mim

mas ainda há um mundo por dizer, acho que ta claro, e acho da hora.

“oi!”

a gente fala muitas coisas mas ao mesmo tempo parece que não falamos absolutamente nada. a hora que a gente conversa é como se fosse sagrada pra mim. paro o que tiver fazendo pra me dedicar ao nosso tempo conversando. qualquer coisa é menos importante naquele momento.
você fala coisas sobre seu dia, coisas que pensou, risadas que deu e faz planos. às vezes surgem discussões sobre assuntos que não são nenhum pouco importantes, como o dia que você defendeu até o fim que a camisa do botafogo era mais bonita que a do flamengo. lógicamente você estava errada. algumas vezes até brigamos, essas brigas rendem alguns momentos ruins, mas a gente sabe que depois vai ficar tudo bem. parece que é algo nosso, que fica por cima de qualquer indício de mal-estar e de repente estamos bem de novo.

existe algo entra a gente.

eu sempre quero ficar em algum lugar afastado onde eu possa somente ouvir tua voz. às vezess eu vou até o banheiro, por isso você sempre reclama que me ouve com eco. sei que você acha ruim, mas pelo menos você consegue me entender e lá eu ouço só você.

"tem alguém contigo?" eu nunca sei porque você pergunta isso, como se eu fosse deixar alguém ouvir as baboseiras que eu falo pra você. acho que ninguém aguentaria me ouvir falando vários minutos sobre um livro estranho ou sobre uma música que ouvi essa semana. só você. além disso tem a forma que nos falamos. a gente inventa coisas que ninguém nunca ouviu antes. palavras e gírias que só nós entendemos, a gente faz ruído, redizimos nossa idade pra doze anos, ia ser engraçado, além de muito mico, caso alguém nos ouvisse.

nas conversas sobre amor, voltamos aos dois anos de idade. mesmo sendo pra você tem vezes eu ruborizo quando me dou conta do que to falando. e então vem o sono, e é como se eu fosse acordado de um sonho onde estou quase ganhando a corrida, aí volto ao normal, enfurecido por não ter chegado ao fim.
a faixa de chegada da nossa conversa é o último “boa noite”.

nós dois concordamos em gênero, número e grau, quando freud definiu conversa como terapia.

além das coisas, o frio poderia congelar nossos minutos ao telefone.