Eu bebi saudade a semana inteira
Pra domingo você me dizer
Que não sabe o que quer
E não quer mais saber
Algumas vezes eu gosto de me revisitar. Ouvir uma música antiga, tirar o pó de uma carta velha, abrir uma gaveta com roupas jogadas que não se usa mais.
E vou me entendendo, me anexando a mim mesmo, me absorvendo.
O impacto é tão forte quanto um soco que esvazia o ar de seus pulmões. É incrível o que um recibo velho de um show (que com o tempo se tornou só um papelzinho amarelo sem nada escrito) pode fazer com você.
Há outras vezes, porém, em que o passado me pega pelos braços e me dá uma sacudida. A revisita não é proposital. As lembranças simplesmente surgem, como ao ver uma foto de uma pessoa que hoje é uma completa desconhecida pra você, mas que um dia já foi uma pessoa que poderia listar todas as suas manias e você as dela. Nessas vezes, tudo parece mais intenso. Talvez por eu não estar preparado, por não poder regular o volume da música ou proteger meus olhos da foto que saltou na tela.
Como se me colocassem na frente de um espelho que me mostrasse alguém diferente de mim. E isso é tão assustador quanto estar perdido em um lugar desconhecido.
A sensação é indescritível. Me lembro de imagens borradas e de vozes incolores e sinto saudade de mim. Mas não é uma saudade comum, já que não é convertida pra um único ponto. Eu não sinto falta de algo. Só sinto falta.
Vou sentindo até que, subitamente, me preencho e me canso. Fico entupido de mim. Cheio de uma coisa que insisto em tentar tocar, apalpar, socar. Insisto em tentar provar pra mim que existiu.
Sabe, talvez as coisas melhorassem se eu assistisse mais filmes.